A questão do Tempo em Basílio de Cesareia

Neste artigo, vamos fazer uma reflexão filosófica sobre a questão do “tempo” que se encontra na Homilia II do Hexaemeron de São Basílio Magno (330-379) e que, por meio de nove homilias, retrata os seis primeiros dias da criação.

Eis a questão: O tempo sempre surgiu? Nos dias de hoje é normal escutarmos, “o tempo está passando rápido”, “não consigo fazer nada, parece que está mais curto o tempo”. Não, o tempo não está mais curto e nem mais longo e nem passando rápido, ele continua igual. É só uma impressão quem vem em nossa mente. Na Homilia II de Basílio de Cesareia, conseguimos entender que a existência do tempo se dá início em um processo direcionado ao sentido lógico da Criação quando abrimos a Sagrada Escritura e vemos já no livro de Gênesis à história da Criação, onde constatamos o “tempo” presente nas entre-linhas quando Deus diz: “Um dia”. Se, portanto, Ele diz “um dia”, é do desejo de determinar a medida do dia e da noite, e combinar o tempo que eles contêm. Agora, vinte e quatro horas enchem o espaço de um dia – nós queremos dizer de um dia e de uma noite; e se, no momento, eles não tiveram o mesmo comprimento, o tempo marcado pela Escritura não circunscreve a duração deles. É como se ele dissesse: vinte e quatro horas medem o espaço de um dia ou, na realidade, um dia é o tempo que os céus começam a partir de um ponto para retornar lá. Assim, toda vez que, na revolução do sol, tarde e aurora ocupam o mundo, sua sucessão periódica nunca excede o espaço de um dia.

O “um dia” no qual é o conjunto de um dia e uma noite formam então um espaço, Basílio deixa claro que Deus não estipula duração de “um dia”, pois o tempo não existe é apena a invenção do homem. No entanto o inicio do tempo é chamado “um dia” porque a escritura deseja estabelecer sua relação com a eternidade.

Podemos dizer, então, que tempo surgiu com a criação, mas as horas, os minutos, os segundos, os milésimos de segundo e as temperaturas, estas surgiram pela invenção do homem ao parar e observar a posição do sol, e fazer seus cálculos. Quando paramos e refletimos filosoficamente conseguimos ver que a Filosofia se faz presente em tudo o que está em nossa volta: que o mundo gira, que filosofia pensa, que às horas passam e que tudo o que está ao nosso redor faz pensar que o tempo está voando. Nossos pensamentos e nossas atividades ocupam nosso caminhar, levando-nos a viver refletindo sem mesmo entendermos o que está acontecendo, não é o tempo que passa, pois o tempo é eterno, o que passa somos nós quando não paramos e olhamos ao nosso redor.

Como vimos, São Basílio reafirma o que o Escritor Sagrado disse em sua Homilia II, isto é, “Um dia”. Este “um dia”, refere-se ao tempo nas Escrituras que o Criador fez, já o tempo dos relógios, este é invenção do homem, mas na filosofia, o tempo caminha sempre junto, seja qualquer o lugar aonde formos. Seja em uma viagem ou em um caminho sem destino, quem faz o tempo somos nós. Não é por acaso que cada pessoa tem seu tempo de viver? Assim terminamos: EIS A QUESTÃO!

Autor: Ulisses Antonio Angelo, estudante do 2º ano do Curso de Bacharelado em Filosofia.

7 thoughts on “A questão do Tempo em Basílio de Cesareia

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