A sexualidade e o matrimônio cristão | Série: A família cristã como nova criatura

A sexualidade representa o dom de Deus de ser homem ou mulher, que todo o ser humano recebe ao ser criado. Por isso a pessoa humana é chamada a aceitar esse dom de Deus e encarná-lo em sua vida.

A sexualidade abrange todas as dimensões naturais da existência da pessoa humana: ela abrange não apenas o corpo, que é sinal de pertença a um sexo, mas também a alma e o espírito humano. No Livro do Gênesis está escrito que Deus criou o ser humano como varão e mulher; por isso, o sexo como dom de Deus não depende da escolha humana (v. Gn 1, 27). A pessoa humana é chamada a aceitar o plano de Deus em relação a ela, que se manifesta no seu sexo.

A sexualidade só pode ser compreendida à luz da compreensão cristã do amor como comunhão de pessoas. Essa comunhão se realiza no amor como doação mútua de uma pessoa a outra. Esse amor é um dom do Espírito Santo, que a torna disponível para outra pessoa.

Na vida matrimonial, o homem e a mulher tornam-se disponíveis para Deus pelo amor mútuo, que se torna o fundamento para a sua união indissolúvel, sua fidelidade e fecundidade. Na vida virginal, consagrada a Deus, a sexualidade é transfigurada no Espírito Santo para servir a Deus e ao próximo no amor, em vista do Reino dos Céus (v. Mt 19, 12).

Toda a exploração egoísta de outra pessoa como meio para obter o prazer sexual contrapõe-se ao dom de amor de Deus, perverte a essência da sexualidade e fere profundamente o sentido de pessoa; tudo isso é contrário ao sexto e ao nono mandamentos de Deus. Eis por que a vida sexual fora do matrimônio, a infidelidade matrimonial, a agressão à fecundidade matrimonial por meio do aborto e dos meios de contracepção, a poligamia, atos homossexuais, autoerotismo são degradações da pessoa humana e constituem pecado grave.

Toda a pessoa humana, já desde a primeira infância, é chamada a amar a Deus e ao próximo. A essência da formação cristã para a sexualidade consiste na educação para o amor. O objetivo dessa educação é ajudar à pessoa jovem, que está em fase de desenvolvimento, a descobrir em si o dom divino da sexualidade e a respeitar o caráter personalístico desse dom.

Particular responsabilidade pela educação cristã no que diz respeito à sexualidade pertence aos pais. Eles devem ser aqueles guias equilibrados e prudentes na descoberta por parte dos filhos do dom divino da sexualidade, descobrindo a sua natureza e seu sentido conforme à idade, necessidade e profundidade dos questionamentos que inquietam os filhos. A Igreja e a sociedade devem ajudar aos pais no exercício de sua vocação; mas não podem substituí-los integralmente nesse assunto.

Fonte: Cristo nossa Páscoa: Catecismo da Igreja Greco-Católica Ucraniana. Tradução: Pe. Soter Schiller, OSBM. Curitiba: Serzegraf, 2014, n. 859-865.

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