Cultura, Religião e Identidade Afrodescendente é tema de pesquisa de estudante da FASBAM

O estudante Arlisson da Silva Santos, do 3º ano do Curso de Filosofia, decidiu realizar a pesquisa de sua monografia sobre o tema: Cultura e Religião na construção da identidade afrodescendente. Ele teve o objetivo de entender como esses dois fatores contribuem para que determinado sujeito ou grupo se identifique étnica e socialmente. Mas, como vivemos num mundo pós-moderno, como destaca o teórico cultural Stuart Hall, o sujeito hoje assume identidades diferentes em diferentes momentos, identidades que não são unificadas ao redor de um “eu” coerente.

Frente a esse desafio, como pensar a identidade afrodescendente? E mesmo a influência das religiões afros na construção da identidade negra no Brasil?

Para responder a essas questões prático/teórica, ele ressalta que teve a oportunidade de participar da Pastoral Afro da Arquidiocese de Curitiba e, assim, conhecer melhor os trabalhos pastorais por ela desenvolvidos, sobretudo no âmbito de resgatar a identidade do ser negro, em aceitar sua negritude lutando por não perder sua essência e tendo como referência o aspecto religioso. E, por meio da coordenadora Cristina, que lhe disponibilizou inúmeros materiais de estudo sobre a questão do negro em Curitiba e no Paraná, ele participou do documentário Negritude e Branquitude (Direção, filmagem e edição de Gustavo Castro, 2018), que teve por objetivo mostrar os caminhos de religação, via diálogo, entre Candomblé, Umbanda e a Igreja Católica.

Através desse convite para participar da Pastoral Afro ele pôde entender melhor a realidade dos negros e negras em Curitiba e perceber que os membros da Pastoral Afro procuram desenvolver um trabalho de resgate cultural afro-brasileiro, proporcionando estudos e reflexões que visibilizem a identidade negra, estando ao lado deles, lutando pelas suas causas e, sobretudo, lutando pela dignidade enquanto sujeitos de direitos. Sendo assim, Arlisson foi também até a diocese de Apucarana participar da Assembleia do Povo Negro e lá viveu experiências riquíssimas, de lutas pelos ideais de igualdade e fraternidade, de não perder a essência de sua cultura e de sua religião, que enriquece o negro resgatando a ancestralidade vinda da África mãe.

Outro aspecto que enriqueceu muito a sua pesquisa foram as conversas que teve com as mulheres negras, na qual partilharam suas experiências e sabedorias, demonstrando o cuidado em transmitir o que receberam dos antigos, para a educação dos seus filhos. E dialogando com elas, vale salientar que ele percebeu o quanto é desafiador ser mulher negra em Curitiba ou em todo estado, em especial numa cidade que tem como mito ser a mais europeia da região Sul, muito embora, ao contrário, Curitiba seja uma das cidades mais negras do Sul do país. Assim, Arlisson pode notar a resistência e o movimento delas com suas lutas diárias contra o racismo e a discriminação.

Voltando a conversar com a coordenadora da Pastoral Afro, o estudante notou também que os vários movimentos e atividades que participou no decorrer destes anos, fizeram com que fosse possível acreditar ainda mais na coragem e resistência das mulheres periféricas e empobrecidas, mas militantes pela causa da justiça. Um exemplo que ela destacou foi da marcha do orgulho crespo que há três anos reúne mais de 3.000 mulheres em passeata na rua XV de Novembro, no centro da capital paranaense, fazendo com que o empoderamento e a autoafirmação da identidade negra reconheça como elas realmente são, com seus cabelos black, trançados, coloridos, saltos naturais, enfim, fugindo ao padrão e a moda, resgatando o estilo e a estética feminina negra.

Igualmente, pôde também participar da semana da Consciência Negra de 2018, que comemorou a presença marcante da resistência negra na cidade de Curitiba, com a Missa “inculturada”, cortejo a Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, a celebração com o ato inter-religioso, a lavação das escadarias da igreja do Rosário e o encontro de corais de várias religiões. Uma semana de muitas atividades, oficinas e músicas.

Enfim, como salienta Stuart Hall, a pós-modernidade permite que novamente identidades sejam retomadas, reconstruídas e mesmo que de maneira flexível, mas essas identidades conferem aos afrodescendentes no Brasil uma estratégia importantíssima de luta por direitos e de resgate de sua ancestralidade.

Autor: Arlisson da Silva Santos, estudante do 3º ano do Curso de Filosofia.

Foto: divulgação.

5 thoughts on “Cultura, Religião e Identidade Afrodescendente é tema de pesquisa de estudante da FASBAM

  1. Maraneide Teixeira Silva says:

    Nossa!! Que belo trabalho meu amigo Arlison desenvolveu. Muito rico esse trabalho e de suma importância para nós negros. Isso só fortalece e enriquece a nossa cultura , nossa causa e nos enche de orgulho. Parabéns amigo!!

  2. Bruna Ferreira says:

    Participando da Pastoral Afro da Arquidiocese de Curitiba, Arlisson da Silva Santos conseguiu tirar conclusões bem mais claras e deixou seu trabalho bem mais verdadeiro.

    Parabéns pela dedicação Arlisson da Silva Santos.

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