O Sacrifício de Louvor em torno da Divina Liturgia de São João Crisóstomo

Autores

Soter Schiller

Sinopse

Decorrem 50 anos da publicação do decreto do Concílio Vaticano II sobre as Igrejas Orientais católicas, Orientalium Ecclesiarum. Dimensionando o lugar dessas Igrejas como “parte do patrimônio divinamente revelado e indiviso da Igreja universal”, o Concílio destaca as instituições e os ritos litúrgicos das comunidades cristãs orientais como seus componentes fundamentais, nas quais reluz a tradição “que vem desde os apóstolos através dos Padres” (Nº 1).

Na esteira da mobilidade populacional nos últimos séculos, muitas comunidades cristãs de tradição oriental saíram de seu habitat original e migraram para novos ambientes, vindo a se estabelecer até em terras dos continentes americanos. Nestes lugares, os emigrantes e seus descendentes enfrentaram – e enfrentam hoje ainda mais – a desafiante tarefa de viver a sua tradição e suas práticas cristãs num meio muito diferente do seu nicho de origem.

O presente escrito é, em larga escala, uma reformulação do livrinho intitulado “Nossa Liturgia”, que era inteiramente orientado ao público da Igreja católica ucraniana e que visava a ser um subsídio com fins pastorais, para a formação litúrgica do povo, este povo que justamente se encontra na situação acenada.

Neste opúsculo, o objetivo primordial permanece; retira-se, porém, a restrição: as presentes considerações dirigem-se a quem o assunto interessar possa. De fato, as facetas do patrimônio espiritual das Igrejas Orientais vêm despertando crescente interesse no meio brasileiro, mas a oferta de uma literatura sobre teologia e liturgia oriental é ainda bem limitada por aqui.

Proponho-me, pois, a desenvolver uma “introdução à Divina Liturgia de São João Crisóstomo”, à celebração eucarística tão distintiva das Igrejas de tradição bizantina. Tecida, na sua maior extensão, ao longo da era patrística, a Missa de Crisóstomo reflete, em grande proporção, a alma das raízes do cristianismo, “quem vem desde os apóstolos através dos Padres”, como vê o Concílio. Ela não representa, pois, a liturgia da Igreja “ortodoxa”, no sentido convencional do termo, como às vezes se escreve: ela é a liturgia-patrimônio da Igreja de Cristo como tal.

Permanecendo de caráter pastoral o objetivo maior desse escrito, não há nele uma pretensão de constituir uma obra científica sobre a Theiá Leiturgia de João Crisóstomo. Não se destina ele especificamente a teólogos ou a determinados círculos de estudiosos, mas ao povo de Deus que quer celebrar a Liturgia com consciência e entendimento. No entanto, para as principais, se não todas, as afirmações deste trabalho procurei apoio nos melhores estudiosos de liturgia oriental, como Hans-Joachim Schulz, Juan Mateos, Robert Taft e outros mais, no intuito de que nada resultasse gratuito e infundado. Alimento a tese de que, tratando-se de liturgia, e mesmo de outros setores da vida da Igreja, as coisas são melhor compreendidas quando se as focaliza a partir de sua gênese histórica e de sua situação no tempo e no espaço. A Divina Liturgia de São João Crisóstomo não foi escrita de uma só vez, do princípio ao fim: a sua gênese abrange longos séculos e contribuições de muitos autores, individuais ou coletivos. Também sobre isso baseiam-se as minhas considerações e meus comentários que, espero, sejam de utilidade para celebrar essa magnífica Liturgia “de toda a alma e com todo o entendimento” – como nos convida uma de suas preces.

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23 fevereiro 2021

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