OS DESDOBRAMENTOS GNOSIOLÓGICO, METAFÍSICO E ESTÉTICO DO “PENSAMENTO ÚNICO” DE SCHOPENHAUER

Autores

  • Sidney Abílio Pegado de Freitas
  • Irineu Letenski

Palavras-chave:

Princípio de razão, Representação, Vontade, Arte, Schopenhauer

Resumo

O mundo inteiro com todos os seus objetos e fenômenos, segundo Schopenhauer, nada mais é senão apenas representação, ou seja, algo que possui uma existência relativa, que existe unicamente como objeto em relação a um sujeito. O que confere forma a essa relação é o princípio de razão suficiente, em suas variadas formas, que nos permite sempre perguntar a causa da existência das coisas, isto é, tal princípio nos permite representar os objetos relacionados uns com os outros em uma infinita cadeia causal. Mesmo não sendo nada em si, o mundo efetivo possui uma essência que se esconde por trás de cada fenômeno. Essa essência, ou coisa-em-si na linguagem kantiana, é identificado por Schopenhauer como Vontade, ímpeto cego e irracional de natureza auto discordante. Tudo quanto existe no universo é objetivação dessa Vontade em diversos graus através de formas eternas e imutáveis que Schopenhauer identifica com as Ideias platônicas. A Vontade mesma não pode ser conhecida, mas sim a Ideia, que apesar de não se revestir com as formas a priori de espaço e tempo – condições subjetivas do conhecimento – mantém o caráter de ser-objeto para o sujeito (forma mais universal da experiência). Elas podem ser contempladas pelo gênio, aquele que possui a capacidade de intuí-las puramente, na medida em que deixa de ser indivíduo, visto que os indivíduos conhecem apenas o fenômeno sob as formas comuns, e torna-se puro sujeito do conhecimento. A obra de arte é o meio mais eficaz para essa contemplação, pois ela reproduz a Ideia através do belo. Tal contemplação liberta o sujeito da servidão da Vontade e alivia-lhe o sofrimento perpétuo por ela imposto em meio a essa existência absurda, sem sentido e terrível.

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Publicado

2021-04-25

Edição

Seção

Artigos