DESEJO DE BELO

O LIBERTAR DA PRISÃO DA REALIDADE SENSÍVEL EM PLATÃO E A RECONSTITUIÇÃO DA SEMELHANÇA DIVINA DO HOMEM EM GREGÓRIO DE NISSA

Autores

  • Edilson Julio Homenchuk
  • Rogério Miranda de Almeida

Palavras-chave:

Gregório de Nissa, Platão, Belo, Desejo, Contemplação

Resumo

Estas reflexões têm como objetivo principal examinar, do ponto de vista filosófico, a questão do Belo em si e o desejo que envolve esta realidade e que perpassa a alma humana direcionando-a para a contemplação das realidades eternas, do divino, de Deus, em vista do pensamento de Platão e de Gregório de Nissa. Com efeito, na antiguidade clássica grega a ideia de beleza possuía um caráter divergente do sentido que na atualidade estamos habituados a utilizar, tanto que tal noção não possuía afinco com o meio estético, nem tampouco com aquilo que viesse a ser produzido pelo homem. De fato, no meio grego o belo é dado em estado de igualdade com o bem. Esta visão implica-se, sobre tudo, no meio moral; o ideal de virtude configura-se como um ser “belo e bom”, tanto que são postos pelos gregos em um único termo: kalokagathia (καλοκἀγαθία). Dada a igualdade do belo com o bem, a beleza para Platão torna-se uma via para que possamos contemplar as realidades superiores; para Gregório de Nissa, esta igualdade se dá propriamente com Deus, para onde volta-se nosso desejo, mesmo que inconscientemente e passível de deturpações. Contudo, o belo torna-se somente esta via na medida em que buscamos o Belo em si, deixando, desprendendo, purificando-se então de nos determos pelas belezas proporcionadas pelos prazeres carnais que, por sua vez, constituem-se empecilhos para que se dê tal contemplação.

Downloads

Publicado

2021-04-25

Edição

Seção

Artigos