Que é o homem?

Nas primeiras explicações mitológicas do universo encontramos sempre uma antropologia primitiva ao lado de uma cosmologia primitiva, Sócrates faz uma análise das qualidades individuais e virtudes humanas – a natureza das qualidades, o que seria a natureza humana? O homem só pode ser definido por sua consciência? A verdade é filha do pensamento dialético? É a criatura que está em contínua procura de si mesmo e que, em todos os momentos de sua existência, precisa escutar suas condições internas?

A filosofia transforma-se em diálogo através do pensamento dialético, desta maneira, podemos abordar o conhecimento da natureza humana, e assim lembrar-se da tão célebre frase de Sócrates – “Uma vida que não é examinada, não vale a pena ser vivida”. O homem é um animal racional, único animal capaz de ciência e único que possui a razão, será que isso é verdade? Isso são um axioma, um postulado ou uma hipótese? O homem existe ou é uma ideia construída pelo cristianismo da Antiguidade Greco-Latina?

Na história da filosofia pagã antiga, percebemos um deslocamento do eixo da pesquisa filosófica do cosmo para o homem, os sofistas realizaram uma revolução ao deslocarem a reflexão da natureza para o homem, principalmente numa vida em sociedade, deram início ao que chamamos de cultura do homem. É certo dizer que toda revolução almeja criticar e dar uma nova resposta aos problemas de seu tempo, assim foi com os sofistas, período que pode ser caracterizado como um espaço humanista da filosofia com a virtude política.

Os problemas e as soluções ganharam forma e voz, os sofistas respondiam as reais necessidades do momento, propondo aos jovens a palavra nova que eles esperavam; ocorreu à difusão da cultura, da liberdade de espírito, crítica em relação à tradição e mudanças sócio-políticas, porque a virtude não depende da nobreza e sim, funda-se no saber. A idéia ocidental de educação com base na difusão do saber deve muito aos sofistas, eles se tornaram nômades, e para os gregos o apego à cidade era um dogma ético, sem dizer, que os sofistas são considerados os iluministas gregos.

Os sofistas abriram o caminho para a filosofia moral, e com Sócrates o homem teve a definição de sua essência, onde o homem é a sua psyché, o homem é a sua alma, enquanto é precisamente a sua alma que o distingue especificamente de qualquer outra coisa. E por alma, Sócrates entende a nossa razão e a sede de nossa atividade pensante e eticamente operante, a alma é o eu consciente, ou seja, a consciência e a personalidade intelectual e moral.

A essência do homem é a alma, cuidar de si mesmo significa cuidar da própria alma mais do que do corpo, e ensinar os homens a cuidarem da própria alma é a tarefa suprema do educador; assim diz Sócrates, a alma nos ordena conhecer aquele que nos adverte – conhece-te a ti mesmo. Já Platão, tem uma concepção dualista do homem, além da participação da perspectiva metafísico-ontológica, a participação do elemento religioso derivado do orfismo.

Assim há a distinção entre a alma (supra-sensível) e o corpo (sensível) em oposição, pois o homem se descobre como ser de duas dimensões; a imortalidade da alma constitui a dimensão inteligível, meta-empírico e, por isso mesmo, incorruptível do homem.

Autor: Amauri de Campos Junior, estudante do 3º ano do Curso de Filosofia.

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